SOLUÇÃO PARA ENDIVIDADOS SEGUNDO A PREFEITURA DO RJ: MAIS EMPRÉSTIMOS PARA O FUNCIONALISMO PÚBLICO

Prezados leitores,

Recebi esse texto por e-mail do Dr. Ronaldo Gotlib, advogado sócio do escritório Gotlib advogados Associados e achei muito interessante e oportuno compartilhar com os leitores desse blog.

Segue o texto:

Acabei de tomar conhecimento, através de matéria publicada no Jornal O DIA desta terça-feira, 12.01.2016 que a Prefeitura do RJ autorizou a ampliação do prazo para pagamento de empréstimos consignados dos funcionários públicos municipais. Precisamente, foi autorizado o aumento do limite mensal de juros incidentes sobre esta nova linha de crédito, de 2% para 3% e do prazo para pagamento de 72 para 120 meses.

Segundo uma tabela, publicada na citada matéria, ao contratar um empréstimo de R$5.000,00, segundo as novas regras, o servidor/devedor assumirá um compromisso de R$18.534,00 que o acompanhará por longos 10 anos, lembrado mensalmente pelas prestações de R$154,45.

Ainda reproduzindo o conteúdo da publicação, cumpre citar que, em um dos argumentos apresentados a fim de justificar tão “festejada” mudança, é apontada, como uma das vantagens desta medida, o “estímulo à economia em um momento de crise”.
Fico pensando, talvez de modo melancólico, em nossos representantes públicos, eleitos, democraticamente pelo voto, que deveriam zelar por nosso bem estar, e em suas justificativas para atitudes que não se sustentam mediante o mais singelo questionamento.

Realmente eles fazem muito pouco de nós.

O que se percebe, neste notório momento de crise, é que o cidadão, seja ele servidor público ou não, está completamente endividado, quando não, superendividado, situação caracterizada quando suas receitas são insuficientes para saldar as despesas assumidas.
Nossos governantes insistem em trilhar o que pode ser chamado de “caminho mais fácil” ampliando o endividamento das pessoas, maquiando a difícil realidade enfrentada por todos, quando na verdade o caminho, certamente mais difícil e demorado, seria investir na educação financeira da população e em utilizar o poder, inerente a quem tem a missão constitucional de velar por todos os cidadãos, a fim de minimizar os prejuízos impostos pelas empresas que vendem dinheiro a um valor elevadíssimo, em vez de avalizar outro massacre financeiro a toda uma leva de funcionários públicos.

Acredito, infelizmente, com fundamento nos não poucos anos em que acompanho os noticiários políticos de nosso País, que este “belo” exemplo venha a ser replicado em diversos outros municípios.

Mais uma vez, estão sorrindo os que se beneficiam dos motivos que nos concedem o título de País onde são praticadas uma das maiores taxas de juros do planeta.
Existe alguma dúvida sobre quem mais se beneficiará desta medida?

Pense então em qual é o maior desejo de toda empresa que vende dinheiro.
A resposta é óbvia:

Um devedor, que deva mais e mais e, é claro, eternamente.

Agora são dez anos, mas não se “preocupem” quando se aproximar o prazo final, certamente novas possibilidades de renovação serão apresentadas.

É claro, acrescentando-se um “jurinho” a mais.

Fonte: Gotlib Advogados Associados

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Publicado por

Rodrigo Santhiago Martins Bauer

Advogado, pós-graduado em Direito Tributário pela LFG, graduado em Direito pela PUC Campinas