Cordialidade: uma questão de bom senso

Mario Sérgio Cortella, graduado em Filosofia e doutor em Educação pela PUC-SP, em palestra sobre a temática “O compromisso com a cordialidade”, no Salão dos Passos Perdidos no Tribunal de Justiça de São Paulo, em 15/04/2014, proferiu o seguinte:

“A cordialidade é algo que enfeita a vida”, disse. “Eu sou caipira e no mundo caipira tem coisa que orna e coisa que não orna. Na vida e na relação entre as pessoas, tem coisa que orna e coisa que não orna. O que não orna? Agressividade, arrogância, desprezo. O que orna? Cordialidade, polidez e gentileza.” Em seguida, citou uma frase que atribuiu a Martinho Lutero ou a Gabriel Garcia Márquez: “Um homem só deve olhar a outro de cima para baixo quando for para ajudá-lo a se levantar”. E continuou: “Não é casual que a balança da Justiça se equilibra quando os dois lados estão na mesma altura”.

E no final concluiu que:

“A cordialidade tem que ser uma prática cotidiana. Ela não é automática, pois já perdemos um pouco disso. Antigamente, no Interior, ao caminhar na rua, todas as pessoas se cumprimentavam, independentemente de serem conhecidas. Quem faz isso hoje em dia? A cordialidade tem que ser consolidada como algo que nos dignifica.” E concluiu sua palestra analisando a frase: A vida é muito curta para ser pequena. “O que apequena a vida é levá-la de forma banal, fútil e arrogante. Por isso, como cidadão, eu agradeço a todos que estão envolvidos neste Projeto (Justiça Cordial) que tenta impedir que a gente se habitue a qualquer tipo de ‘coisa podre’”.

Aprendemos a sermos cordiais com nossos inimigos em Provérbios, Capítulo 25, v. 21:

21.Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe pão para comer; e se tiver sede, dá-lhe água para beber;

Frequentemente vejo e ouço pessoas dizendo que preferem ser “antissociais” do que fingirem serem falsas, como se dar “bom dia”, ou qualquer coisa do gênero, mesmo para um desafeto, fosse ato de falsidade.

Oras, então nos ensinaram a sermos falsos desde o início? Claro que não. É muito fácil ser cordial com quem amamos, o desafio está em sermos cordiais com nossos desafetos.

Dizer “bom dia” para quem não gostamos, ou até mesmo odiamos, gera muito desconforto, angústia. Assim, a pessoa para evitar tamanha angústia procura por “desculpas” para fugir à responsabilidade.

Segundo Paulo Freire: “Ele dizia que era pequeno, para poder crescer. Gente grande de verdade sabe que é pequeno e, por isso, cresce. Gente muito pequena acha que já é grande e o único modo dela crescer é rebaixando os outros”.

Dessa forma, quero concluir este post com a mensagem de que “temos de nos tornar a mudança que queremos ver no mundo” (Mahatma Gandhi).

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Publicado por

Rodrigo Santhiago Martins Bauer

Advogado, pós-graduado em Direito Tributário pela LFG, graduado em Direito pela PUC Campinas

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