Alimentos vão subir 10% no ano

Alimento engorda inflação
Autor(es): Cássia Almeida
O Globo – 13/09/2012
Com alta generalizada, comida deve ficar 10% mais cara este ano e pressiona IPCA

 

Não  há para onde fugir. O preço da maioria dos alimentos mais consumidos  pelos brasileiros está em franca alta, a ponto de a inflação desse grupo  de produtos, que pesa mais de 20% no orçamento das famílias, ficar em  8,84% nos 12 meses encerrados em agosto, contra 5,24% do Índice de  Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o índice oficial do país. E a  estimativa é que essa inflação fique entre 9,5% e 10%, bem acima dos  7,18% registrados no ano passado.

A seca americana, que pressionou  os preços no atacado de milho e soja, agora mostra seus efeitos com  força no varejo. Pesquisa feita por André Braz, economista da Fundação  Getulio Vargas (FGV), mostra que o custo de alimentos como frango, carne  de porco, óleo de soja, massas, pão só faz crescer.

O frango  subiu com a alta do preço do milho no atacado (só em agosto, o grão  subiu 20,33%), o que encareceu as rações. O frango inteiro já subiu  2,02% em agosto e, nos 30 dias terminados em 7 de setembro, a alta é de  3,29%. O custo maior do trigo no atacado, reflexo de uma quebra de safra  em alguns países da Ásia, fez subir o preço do pão francês (1,43% em  agosto, e 2,29% nos últimos 30 dias). E a alta da soja no atacado  (14,89% em agosto) elevou o preço do óleo de soja de 2,12% para 2,31%  nessa comparação feita pela FGV.

– Coma alta das rações, subiram  os preços das carnes de porco e de frango. A carne bovina também sente  os efeitos, porque os consumidores substituem. E sem contar com  alimentos in natura , como o tomate, que subiu mais de 100% em três  meses – explicou Braz.

carnes podem subir com entressafra

Mas  o alívio começa a aparecer. A cotação do milho na Bolsa de Gêneros  Alimentícios do Rio de Janeiro começa a ficar menor. A saca de 50  quilos, que era negociada a R$ 42 há uma semana, baixou para R$ 36.

A  alta não se restringe à seca americana. A colheita de arroz também  sofreu com problemas climáticos por aqui. Assim, o preço de um dos mais  básicos alimentos da mesa do brasileiro já subiu 3,98% nos últimos 30  dias. E a pressão não deve diminuir. No atacado, a saca de 30 quilos  subiu de R$ 60, há um mês, para R$ 80 nos últimos dias.

José de Sousa, presidente da Bolsa, já vê pressão dos atacadistas para subir ainda mais o preço da carne bovina:

–  Nas negociações, os frigoríficos estão tentando impor aumentos de R$  0,30 nas carnes de segunda e de R$ 0,20, nas de primeira. Em outubro e  novembro, começa a entressafra e essa pressão deve aumentar.

O  custo do feijão preto também não para de subir. Há um mês a saca vem  sendo vendida por R$ 140. Antes disso, chegou a ser cotado a R$ 60. Esse  tipo de feijão, consumido quase que exclusivamente no Estado do Rio, já  subiu 45,86% nos últimos 12 meses, devido a problemas climáticos por  aqui.

Leites e derivados 8% mais caros

Outro grupo dos mais importantes no orçamento alimentar, os laticínios, também está encarecendo.

–  Leites e seus derivados já registram aumento de 8%, comparado a preços  de 30 dias atrás – afirmou João Márcio Castro, gestor comercial da Rede  Princesa de Supermercados.

Segundo Castro, há 45 dias os supermercados começam a receber tabelas majoradas da indústria:

–  Mas nos últimos 30 dias, esta alta se intensificou. A carne bovina  subiu cerca de 23%; a suína, 14%; e a de frango avançou em média 21% em  relação há um mês. Como estamos no mês de aniversário, fazemos promoções  e a demanda não caiu.

O trigo, além de sofrer os efeitos da  quebra de safra na Ásia, sobe pressionado pelas altas no milho e na  soja, já que também é usado nas rações, explica Elson Teles, economista  do Itaú Unibanco. Para ele, a estabilidade do dólar em torno de R$ 2 não  tem afetado tanto os preços.

Para 2013, há forças puxando para  cima e para baixo a inflação, que deve ficar um pouco acima de 5%.  Espera-se uma queda nos preços das commodities agrícolas, depois da alta  forte deste ano. Porém, não haverá o Imposto sobre Produtos  Industrializados (IPI) mais baixo para automóveis e eletrodomésticos  para ajudar a conter os preços. A ação do governo para baixar as tarifas  de energia e desonerar mais ainda a cesta básica são pontos que podem  deixar a inflação comportada. Mas o preço da gasolina vai subir, se não  nos próximos meses, certamente em 2013:

– Ainda há o aumento dos  ônibus urbanos. Há dois anos, a tarifa não é reajustada em São Paulo.  Depois das eleições, deve subir – diz Braz, da FGV.

Teles lembra  que os serviços devem subir menos. A alta do salário mínimo, que baliza  as remunerações nesse setor, deve ser a metade do reajuste autorizado de  13% deste ano

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Publicado por

Rodrigo Santhiago Martins Bauer

Advogado, pós-graduado em Direito Tributário pela LFG, graduado em Direito pela PUC Campinas