DILMA DÁ MINISTÉRIO A MARTA E ABRE CAMINHO PARA PR APOIAR HADDAD

DILMA DÁ MINISTÉRIO A MARTA E ABRE VAGA NO SENADO PARA ATRAIR APOIO A HADDAD
Autor(es): TÂNIA MONTEIRO , VERA ROSA
O Estado de S. Paulo – 12/09/2012

Ex-prefeita foi convidada para o cargo dias após entrar na campanha do petista; suplente é um dos líderes do partido que está coligado oficialmente a Serra

A posse de Marta acontecerá amanhã, às li horas. A mudança em Brasília deverá ter reflexos diretos na campanha à Prefeitura de São Paulo. Além de abrir vaga no primeiro escalão para Marta – que somente após conversas reservadas com Dilma e com o ex-presidente Lula aceitou apoiar a candidatura de Fernando Haddad (PT) -, a indicação coloca no Senado o suplente Antonio Carlos Rodrigues, atualmente vereador, presidente do PR na cidade de São Paulo e candidato à reeleição na Câmara Municipal. O PR está oficialmente coligado à candidatura de José Serra (PSDB), mas pode, agora, aderir à campanha de Haddad. As negociações com o PR indicam que ainda poderia ser oferecido, no futuro, mais um ministério ao partido.

Duas semanas após entrar na campanha de Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) ganhou um cargo no governo. Ela será a nova ministra da Cultura, substituindo Ana de Hollanda, que caiu após enfrentar longo processo de desgaste na Esplanada. Com a engenharia política, a presidente Dilma Rousseff pretende levar importante ala do PR, que hoje apoia o candidato do PSDB, José Serra, para a campanha de Haddad.

A decisão de demitir Ana de Hollanda já estava tomada, mas a ideia inicial de Dilma era fazer a troca depois das eleições, no ano que vem, junto com a planejada reforma da equipe. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a convenceu, porém, de que o melhor momento para a entrada de Marta no ministério era agora. Não sem motivo: quem assume sua cadeira no Senado é o vereador Antonio Carlos Rodrigues, suplente e dirigente do PR.

“É uma questão política, não tinha como evitar. Eu estou precisando do cargo”, disse a presidente ao justificar sua decisão a Ana de Hollanda, durante encontro no Planalto.

Apesar de integrar a base aliada de Dilma, o PR decidiu se coligar com Serra em represália à perda do Ministério dos Transportes, no rastro da “faxina” promovida por Dilma. O plano de Lula e do comitê petista, agora, é desestabilizar a candidatura de Serra, deslocando uma ala do PR para Haddad. A expectativa dos petistas é que o PR faça “corpo mole” no apoio ao tucano.

Marta e Haddad negaram ontem qualquer tipo de barganha política. “O convite é meio surpreendente, mas eu sou do governo e estou à disposição”, afirmou a nova ministra. “Com a presidenta Dilma não tem toma lá dá cá. Quem a conhece sabe que isso não é do feitio dela. Se (a troca) tivesse algo a ver com minha campanha, teria sido feita muito antes”, disse o candidato do PT. A posse de Marta está marcada para amanhã, às 11 horas.

Ex-ministra do Turismo no segundo mandato de Lula e ex-prefeita de São Paulo (2001 a 2004), Marta nunca gostou do Legislativo e sempre desejou retornar ao governo. Ela queria ser novamente candidata a prefeita e, por imposição de Lula, foi obrigada a desistir para ceder a vaga a Haddad, no ano passado. Depois de excluída, boicotou a campanha do PT por quase dez meses.

No comando da Cultura, Marta entra na fila dos pré-candidatos do PT ao governo paulista, em 2014. Nessa empreitada, seu maior adversário no partido é o ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

Mal-estar. O PT quer explorar agora o mal-estar do PR com tucanos, provocado pela propaganda de Serra, que jogou luz sobre o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal. O deputado Valdemar Costa Neto, que presidiu o PR, é réu no processo.

Para assumir a vaga de Marta, Antonio Carlos Rodrigues terá de se licenciar da Câmara Municipal. Rodrigues concorre à reeleição como vereador e tem ótimo relacionamento com o PT. “Nunca escondi de ninguém que tenho amigos no PT. Eu me elegi presidente da Câmara Municipal com os votos dos petistas”, afirmou Rodrigues.

Mesmo assim, o vereador disse que não vai abandonar Serra. “Seria muito estranho só o PR de São Paulo apoiar o PT”, comentou. Apesar dos desmentidos oficiais, porém, o comando da campanha de Haddad conta com o racha na dobradinha PSDB-PR.

Ana de Hollanda é a 13.º ministro a deixar o governo. Desde a sua posse, ela é criticada por setores da área cultural, que chegaram a redigir um manifesto cobrando sua saída. A gota d”água para a demissão foi o vazamento de uma carta enviada por Ana ao Ministério do Planejamento, no último dia 27, reclamando dos parcos recursos destinados à pasta. O encontro entre ela e Dilma, ontem, foi “rápido” e “constrangedor”, segundo auxiliares da presidente.

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Publicado por

Rodrigo Santhiago Martins Bauer

Advogado, pós-graduado em Direito Tributário pela LFG, graduado em Direito pela PUC Campinas