Brasil tem longo caminho para ser potência olímpica

Autor(es):  Por Beth Koike | De São Paulo
Valor Econômico – 13/08/2012

O  Brasil encerrou sua participação na Olimpíada de Londres com 17  medalhas, duas a mais em relação à meta do Comitê Olímpico Brasileiro  (COB) que era igualar o número de pódios conquistados em Pequim. Apesar  desse aumento, não faltam críticas em relação ao desempenho do Brasil no  evento esportivo que terminou ontem e para a necessidade de arrumar a  casa para os jogos olímpicos que acontecem no Rio em 2016.

“Levando-se  em consideração o investimento feito para os jogos de Londres, que foi  muito superior a Pequim, esse resultado foi pífio”, disse a psicóloga  Katia Rubio, professora da Universidade de São Paulo (USP) que coordena,  há 12 anos, uma pesquisa com atletas de jogos olímpicos. Segundo  levantamento feito pelo site “UOL”, o governo brasileiro investiu R$ 2,1  bilhões na preparação de 258 atletas para Londres, o que representa 75%  a mais em relação ao montante aplicado nos jogos de Pequim.

Um  dos entraves para o desenvolvimento do esporte no Brasil é a falta de  patrocínio. O incentivo ainda é pontual, privilegiando normalmente  esportes com visibilidade ou quando um atleta conquista uma medalha.  “Sem medalha, a gente volta pro buraco”, desabafou Diogo Silva, atleta  de taekwondo, ao perder a disputa pelo bronze. Diante deste cenário, não  é à toa que foram tão comemoradas as medalhas conquistadas pelos irmãos  Yamaguchi e Esquiva Falcão (boxe), Arthur Zanetti (argolas) e Yane  Marques (pentatlo moderno).

Segundo profissionais que trabalham  com captação de recursos para o esporte, o problema não é falta de verba  para patrocínio e sim de planejamento e compreensão do segmento de  esportivo. “As empresas e as entidades representantes do esporte  [federações, confederações e ONGs] não sabem se relacionar. Uma quer  patrocinar, mas a outra não sabe explicar o retorno que esse  investimento resultará”, disse Eduardo Muniz, consultor especializado em  marketing esportivo da Top Brands. “As empresas não entendem ou  desconhecem a Lei de Incentivo ao Esporte que possibilita abater o  investimento do Imposto de Renda”, completou a professora da USP. Katia  ressalta que para formar um atleta é preciso um ciclo de dez anos e que  com isso o Brasil está atrasado para a Olimpíada do Rio.

Em um  ponto as partes concordam. O investimento na formação do atleta e em  ações de marketing precisam ser de longo prazo. “Muitas empresas pensam  em visibilidade momentânea como na final de um jogo ou após sua vitória.  No dia seguinte, ninguém mais lembra. Vale investir a longo prazo para  transferir os atributos do esporte para a empresa patrocinadora”,  destaca Muniz. “Em outros países marcas como Coca-Cola, Visa e Mc  Donald”s fazem isso”, disse Yacoff Sarkovas, principal executivo da  Edelman Significa, que desenvolve ações de patrocínio esportivo.

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Publicado por

Rodrigo Santhiago Martins Bauer

Advogado, pós-graduado em Direito Tributário pela LFG, graduado em Direito pela PUC Campinas